October 29, 2007

Gastr Del Sol - Crookt, Crackt, Or Fly [1994]

Esse ano, já no primeiro semestre, produziu discos melhores que 2006 inteiro. Foram vários lançamentos de qualidade, bandinhas boas e  honestas, como o Pidgeon Detectives, e ainda faltam dois meses para terminar. Até agora, a geléia de morango do Animal Collective leva o melhor do ano, seguido de longe por Cease to Begin, segundo disco do Band Of Horses. O Sky Blue Sky é au concour, pra não ficar chato.

Li em uma dessas paragens musicais, uma teoria que funciona perfeitamente comigo. Para descobrir se o ano tá sendo bom musicalmente, basta conferir quanto pós-rock tocou no seu last.fm. Se foi muito, é mau sinal, hoho. No meu tocou muito, mas é um caso excepcional. Esse ano eu meio que perdi 70% das minhas mp3 e estou a baixá-las novamente. Nesse processo, reencontrei muitos discos que me são caros e é de se compreender que peguei amor novamente. Assim aconteceu com o Gastr Del Sol, que não ouvia muito há um bom tempo. A banda formou-se em Louisville, Kentucky, pela união dos dois gênios multi-instrumentistas David Grubbs e Jim O’Rourke. Em sua primeira formação, o Gastr Del Sol teve nas baquetas nada mais, nada menos que John McEntire, hoje membro do Tortoise e do The Sea In Cake. Este último teve seu nome inspirado em uma das músicas do Gastr Del Sol, The C in Cake, do álbum Crookt, Crackt, Or Fly, de 1994. É essa belezinha que deixo pra vocês nesse post. Um disco predominantemente acústico, com vocal em algumas faixas. As minhas preferidas são a hipnótica Work From Smoke e a esquizo/experimental The Wrong Soundings, que fecha o disco com estilo, trazendo uma colagem alternadamente caótica de riffs elétricos e batidas jazz preguiçosamente suaves.

Infelizmente, após a saída de Jim O’Rourke em 1997, a banda encerrou as atividades, minando de vez minhas esperanças de vê-los ao vivo. Porque você sabe, esse negócio de retorno das cinzas não é pra banda de pós-rock.

 

Monkee Babe @ 8:51 pm || Arquivado em: Gastr Del Sol
October 26, 2007

Counting Crows - Recovering the Satellites [1996]

O ano de 96 foi uma das melhores épocas da minha vida. Passei no vestibular em janeiro e fiquei só vadiando enquanto o segundo semestre letivo não começava. O melhor de tudo, cheio de moral em casa. Isso durou até outubro. Ainda bem, pois meu fígado estava jogando a toalha. Foi nessa época de júbilo e fanfarronice que eu comecei a ouvir Counting Crows. Até então, eu não tinha me interessado muito pela banda de um hit só. Aluguei o primeiro cd dos caras e gravei uma fitinha (é, eu sou do tempo em que se fazia essas duas coisas). A verdade é que Mr. Jones era uma das músicas menos legais. Gostei tanto do cd que fui atrás de informações sobre a banda na Internet (naquela época, eu só acessava a rede na universidade e havia somente uma estação conectada no laboratório de Computação, uma poderosa Sun SPARCstation 20, rodando Solaris, do qual eu só sabia os comandos para carregar o Netscape). E foi aí que eu soube que estavam pra lançar o segundo disco, Recovering the Satellites. Como toda banda americana que estoura no primeiro disco, o segundo estava sendo um parto. Não sei por que esse karma. As bandas britânicas fazem segundos discos com a mesma pressão e não tem isso. Enfim, ouvi o disco quase no fim do ano, emprestado de um amigo e gostei mais do que o primeiro. A Long December é ainda uma das minhas músicas preferidas de todos os tempos. E são muitos tempos, pelo que vocês puderam notar.

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 Counting Crows - Recovering the Satellites [2006]

Monkee Babe @ 10:58 am || Arquivado em: Counting Crows
October 25, 2007

Decemberists, The - Live From Soho [2007]

Quando ouvi Decemberists pela primeira vez, já soube que se tornaria uma das minhas bandas mais queridas. Foi Shiny, do EP 5 Songs, que alguém me mandou num IM da vida. A voz de Colin Meloy e o refrão matador "tell me why you lied and what it is you do to keep your eyes all shiny" embalado docemente pelo acordeon de Jenny Conlee, fazem uma música perturbada com mais de 5 minutos parecer um passeio no parque. E se tem uma coisa que eu gosto é música triste com uma levada alegrinha. Defino a música deles como um Neutral Milk Hotel hi-fi com um Morrisey nerd e fã de Jethro Tull como letrista e vocalista. O último disco deles, lançado há um ano pela Capitol, foi o debut da banda em uma major. Contrariando as batidas especulações sobre terem que mudar o som, os Decemberists fizeram The Crane Wife soar tal qual os discos anteriores. Como era de se esperar, algumas arestas de experimentalismo foram aparadas, porém o resultado ainda é um trabalho típico dos dezembristas: um disco épico-conceitual bom de assobiar. Obviamente, ninguém espere que vá tocar em Peoria, afinal é Decemberists. E podem até dizer que sou siderado, mas eis aqui um exemplo perfeito do que é música pop esquisita. 

Em novembro do ano passado, fizeram um showzinho na loja da Apple, em NY, que acabou virando o primeiro da série Live From SoHo, lançada exclusivamente para o iTunes. Teoricamente, pois existem mis maneiras de remover o DRM dos arquivos. Então tá aqui pra vocês, já convertidinho em mp3.

The Decemberists - Live From SoHo

Monkee Babe @ 12:37 pm || Arquivado em: Decemberists, The

O retorno

Senhoras e senhores, após um longo e tenebroso inverno, nossos satélites finalmente foram recuperados e as transmissões estão restabelecidas.

Here we go again.

Monkee Babe @ 12:18 pm || Arquivado em: Historinhas

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