November 22, 2007

Bob Dylan Revisited - Les Inrockuptibles cd [2007]

Corroborando com a febre Bob Dylan que assola o mundo no final deste ano, deixo pra vocês este disco que acompanhou a edição de setembro da revista francesa Les Inrockuptibles. São dez canções, das quais nove covers e um dueto com Johnny Cash. Esse dueto é parte das famosas Dylan/Cash sessions, gravadas em fevereiro de 1969, e também abre o disco Nashville Skyline, que Dylan lançou em abril do mesmo ano — por sinal, é a capa deste disco que estampa a LesInrocks. O dueto fez desta versão de Girl From The North Country um dos marcos do Country Rock, completamente diferente da original acústica do Freewheelin’.

Como eu havia adiantado, o cd ainda trás nove covers. Alguns ruins, como o que Alain Bashung fez de She Belongs to Me, e alguns oquei, como a versão eletrônico-instrumental de Like a Rolling Stone dessa tal Pascal Comelade. Agora supimpa mesmo ficou o cover que Andrew Bird fez para Oh, Sister. Os backings não chegam nem perto do original, mas Andrew teve frieza o bastante para conseguir deixar sua marca pessoal nos vocais — o que é bem difícil, em se tratando de um cover de Mr. Dylan — e o assobio encaixou tão bem no arranjo que agora toda vez que eu ouvir a original, sentirei falta.

Bob Dylan revisited

Monkee Babe @ 11:56 pm || Arquivado em: Bob Dylan, Covers
November 18, 2007

I’m Not There OST [2007]

Em 1966, no auge de sua fase eletrificada, após ter lançado o álbum duplo Blonde On Blonde e recém chegado de uma turnê um tanto conturbada na Inglaterra, Bob Dylan sofreu um acidente que tornou-se um dos casos mais comentados de sua biografia. Pelo que consta, ele estava em Woodstock, levando a motocicleta para a oficina, quando apareceu em seu caminho uma poça de óleo. O fatídico desleixo de um motorista naquela manhã fez com que Dylan fosse arremessado violentamente no asfalto de uma auto-estrada novaiorquina. Saldo total: uma fratura em uma das vértebras do pescoço e algumas queimaduras na cabeça e no rosto. O suficiente para tirá-lo de circulação por uns tempos, sendo obrigado a cancelar mais de 50 shows da turnê mundial que fazia com The Band, que na época ainda se chamava The Hawks.

Sem muita informação sobre o acontecido, a imprensa americana passou a veicular toda a sorte de boatos sobre o estado de Dylan, chegando a alardear que ele estava paraplégico, completamente desfigurado e sem voz para todo o sempre. Dylan, que nunca gostou do assédio da mídia, aproveitou as férias forçadas para viver uma espécie de isolamento espiritual, dedicando-se à leitura e recebendo visitas apenas de amigos mais próximos. Neste período, escreveu uma série de canções que mais tarde, em 1967, foram registradas em animadas jam sessions na Big Pink, uma casinha de campo onde viviam e ensaiavam os integrantes do The Hawks. Essas sessions acabaram circulando e algumas compilações foram sendo prensadas em bootlegs piratas, produzindo um culto de adoração em torno da obra. Não à toa, pois mesmo não se tratando de um disco planejado, as fitas gravadas apenas pelo prazer de fazer música traziam composições inspiradíssimas, com uma leveza que já não se via nos álbuns recentes, porém ainda com forte carga emocional. Há desde canções pop singelas como You Ain’t Goin’ Nowhere, passando pela pura improvisação de Million Dollar Bash e pelo conto de terror comédia em Yazoo Street Scandal. Nestas sessions em 1967, pode-se encontrar o rito de passagem que levou o Dylan de longas canções poéticas a produzir  as músicas mais curtas e pungentes, lançadas no final da década.

Em 1975, contendo uma canção inédita em todos os discos piratas que circulavam, foi finalmente lançado pela Columbia o The Basement Tapes. Apesar do tratamento técnico para melhorar o precário som de algumas faixas não ter sido bem aceito pelos fãs, a versão oficial chegou a superar a vendagem esperada pela gravadora. A obscura I’m Not There, que nunca foi gravada em estúdio ou mesmo executada ao vivo por Dylan - e talvez também por ter ficado fora do disco a pedido do próprio - é considerada por muitos a mais misteriosa das 105 canções registradas naquela primavera de 1967.

I’m Not There, o filme de Todd Haynes que estréia dia 21 deste mês, conta em paralelo seis passagens da vida de Bob Dylan. No elenco, gente como Richard Gere, Cate Blanchett e Heath Ledger. Não parece ser uma obra biográfica, mas uma visão fragmentada de episódios vividos por Bob Dylan, relatados, às vezes, de uma maneira apenas sugestiva. Sobre o caso de que comecei falando, há somente uma rápida cena com um Heath Ledger motociclista, seguida por um som de batida e a cena da moto quebrada, no chão, sem maiores explicações. Assim como, na época, ficaram todos os que acompanhavam a carreira do músico. Assim como algum cidadão incauto largou uma poça de óleo no meio do caminho por onde veio, talvez com pouca destreza sobre duas rodas, um dos artistas mais influentes da história da música, provocando um enorme estrago na sua Triumph 650 e outro maior ainda na música pop.

Este post, na verdade, deveria falar da trilha sonora do filme, mas acabei me empolgando e desviando do assunto. Enfim, basta dizer que tem Stephen Malkmus, Sonic Youth, Cat Power, Anthony and The Johnsons e Tom Verlaine, alguns dos quais contando com o apoio de uma bandinha chamada The Million Dollar Bashers, sob os cuidados de Nels Cline (Wilco), Lee Ranaldo (Sonic Youth) e Tony Garnier (que excursiona com Dylan), só pra citar alguns. É baixar sem medo.

I'm Not There OST [2007]

Disco 1 Disco 2

Monkee Babe @ 7:06 pm || Arquivado em: Bob Dylan, Trilhas sonoras
November 01, 2007

Iron & Wine - The Sea & the Rhythm EP [2003]

Há músicas que me fazem querer estar em outro lugar. É algo como sentir cheiro de bolo de fubá e querer estar na casa da sua querida mamãe (sendo sua mãe uma pessoa que faz bolos de fubá, compreenda). E Sam Beam cantando com sua voz de canção de ninar na faixa título deste EP me faz querer estar em uma praia ali, à noite, deitado na rede com Namorada, sentindo a brisa fria e fazendo cachinho no cabelo dela.

Fiquem aí com o Sam, que eu preciso ir dormir. Amanhã é dia de voar. =)

Iron & Wine - The Sea & the Rhythm EP [2003] 

Monkee Babe @ 12:06 am || Arquivado em: Iron & Wine
October 29, 2007

Gastr Del Sol - Crookt, Crackt, Or Fly [1994]

Esse ano, já no primeiro semestre, produziu discos melhores que 2006 inteiro. Foram vários lançamentos de qualidade, bandinhas boas e  honestas, como o Pidgeon Detectives, e ainda faltam dois meses para terminar. Até agora, a geléia de morango do Animal Collective leva o melhor do ano, seguido de longe por Cease to Begin, segundo disco do Band Of Horses. O Sky Blue Sky é au concour, pra não ficar chato.

Li em uma dessas paragens musicais, uma teoria que funciona perfeitamente comigo. Para descobrir se o ano tá sendo bom musicalmente, basta conferir quanto pós-rock tocou no seu last.fm. Se foi muito, é mau sinal, hoho. No meu tocou muito, mas é um caso excepcional. Esse ano eu meio que perdi 70% das minhas mp3 e estou a baixá-las novamente. Nesse processo, reencontrei muitos discos que me são caros e é de se compreender que peguei amor novamente. Assim aconteceu com o Gastr Del Sol, que não ouvia muito há um bom tempo. A banda formou-se em Louisville, Kentucky, pela união dos dois gênios multi-instrumentistas David Grubbs e Jim O’Rourke. Em sua primeira formação, o Gastr Del Sol teve nas baquetas nada mais, nada menos que John McEntire, hoje membro do Tortoise e do The Sea In Cake. Este último teve seu nome inspirado em uma das músicas do Gastr Del Sol, The C in Cake, do álbum Crookt, Crackt, Or Fly, de 1994. É essa belezinha que deixo pra vocês nesse post. Um disco predominantemente acústico, com vocal em algumas faixas. As minhas preferidas são a hipnótica Work From Smoke e a esquizo/experimental The Wrong Soundings, que fecha o disco com estilo, trazendo uma colagem alternadamente caótica de riffs elétricos e batidas jazz preguiçosamente suaves.

Infelizmente, após a saída de Jim O’Rourke em 1997, a banda encerrou as atividades, minando de vez minhas esperanças de vê-los ao vivo. Porque você sabe, esse negócio de retorno das cinzas não é pra banda de pós-rock.

 

Monkee Babe @ 8:51 pm || Arquivado em: Gastr Del Sol
October 26, 2007

Counting Crows - Recovering the Satellites [1996]

O ano de 96 foi uma das melhores épocas da minha vida. Passei no vestibular em janeiro e fiquei só vadiando enquanto o segundo semestre letivo não começava. O melhor de tudo, cheio de moral em casa. Isso durou até outubro. Ainda bem, pois meu fígado estava jogando a toalha. Foi nessa época de júbilo e fanfarronice que eu comecei a ouvir Counting Crows. Até então, eu não tinha me interessado muito pela banda de um hit só. Aluguei o primeiro cd dos caras e gravei uma fitinha (é, eu sou do tempo em que se fazia essas duas coisas). A verdade é que Mr. Jones era uma das músicas menos legais. Gostei tanto do cd que fui atrás de informações sobre a banda na Internet (naquela época, eu só acessava a rede na universidade e havia somente uma estação conectada no laboratório de Computação, uma poderosa Sun SPARCstation 20, rodando Solaris, do qual eu só sabia os comandos para carregar o Netscape). E foi aí que eu soube que estavam pra lançar o segundo disco, Recovering the Satellites. Como toda banda americana que estoura no primeiro disco, o segundo estava sendo um parto. Não sei por que esse karma. As bandas britânicas fazem segundos discos com a mesma pressão e não tem isso. Enfim, ouvi o disco quase no fim do ano, emprestado de um amigo e gostei mais do que o primeiro. A Long December é ainda uma das minhas músicas preferidas de todos os tempos. E são muitos tempos, pelo que vocês puderam notar.

/o\

 Counting Crows - Recovering the Satellites [2006]

Monkee Babe @ 10:58 am || Arquivado em: Counting Crows
October 25, 2007

Decemberists, The - Live From Soho [2007]

Quando ouvi Decemberists pela primeira vez, já soube que se tornaria uma das minhas bandas mais queridas. Foi Shiny, do EP 5 Songs, que alguém me mandou num IM da vida. A voz de Colin Meloy e o refrão matador "tell me why you lied and what it is you do to keep your eyes all shiny" embalado docemente pelo acordeon de Jenny Conlee, fazem uma música perturbada com mais de 5 minutos parecer um passeio no parque. E se tem uma coisa que eu gosto é música triste com uma levada alegrinha. Defino a música deles como um Neutral Milk Hotel hi-fi com um Morrisey nerd e fã de Jethro Tull como letrista e vocalista. O último disco deles, lançado há um ano pela Capitol, foi o debut da banda em uma major. Contrariando as batidas especulações sobre terem que mudar o som, os Decemberists fizeram The Crane Wife soar tal qual os discos anteriores. Como era de se esperar, algumas arestas de experimentalismo foram aparadas, porém o resultado ainda é um trabalho típico dos dezembristas: um disco épico-conceitual bom de assobiar. Obviamente, ninguém espere que vá tocar em Peoria, afinal é Decemberists. E podem até dizer que sou siderado, mas eis aqui um exemplo perfeito do que é música pop esquisita. 

Em novembro do ano passado, fizeram um showzinho na loja da Apple, em NY, que acabou virando o primeiro da série Live From SoHo, lançada exclusivamente para o iTunes. Teoricamente, pois existem mis maneiras de remover o DRM dos arquivos. Então tá aqui pra vocês, já convertidinho em mp3.

The Decemberists - Live From SoHo

Monkee Babe @ 12:37 pm || Arquivado em: Decemberists, The

O retorno

Senhoras e senhores, após um longo e tenebroso inverno, nossos satélites finalmente foram recuperados e as transmissões estão restabelecidas.

Here we go again.

Monkee Babe @ 12:18 pm || Arquivado em: Historinhas

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